•Curadoria

Trabalhando próximo dos locais da sua infância, e ao mesmo tempo, no outro lado do mundo.

Criando, em Maio de 2008, um workshop, repleto de vida com os seus artistas, de professores, estudantes, chineses e franceses, portugueses e americanos, ousando associar livremente a dança, a pintura, a poesia, a fotografia, a cozinha, a arquitectura e o urbanismo, num mês de pura felicidade.

Restaurando, logo em seguida, uma igreja barroca na Bahia, no Brasil. Organizando uma grande exposição de Facescapes de Denis Piel, no Museu do Traje, local encantador para apresentar um trabalho tão raro e difícil, longe do consumo banal, com o apoio de diversos patrocinadores, também apaixonados.

Preparando, com o grupo DaST, as residências em Portugal, França e China, onde os artistas que tanto gosta poderão trabalhar livremente, durante algumas semanas por ano.

Jamais cansado, sempre sorridente, optimista e à escuta do outro, eis o Gonçalo, irmão de Duda, que lhe canta com paixão ‘muda o mundo’, e de Filipa, apaixonada por ecologia, e o surf, que tanto gostamos.

•Arte Contemporânea

Gonçalo Leandro construiu o seu percurso a partir de uma visão que transcende o conceito tradicional de atelier. Mais do que um criador, afirma-se como um engenheiro cultural, orientado pela permanência de um espírito inventivo capaz de dialogar com os desafios e urgências da cultura contemporânea.

No centro da sua abordagem está a arte contemporânea, não como território isolado, mas como um espaço de convergência entre pensamento crítico, matéria, técnica e responsabilidade cultural. Para Gonçalo Leandro, a contemporaneidade é um ponto de encontro entre tempos, onde o passado informa o presente e onde a prática artística se edifica sobre o cuidado, a investigação e a consciência ética.

A sua estrutura de trabalho assenta numa lógica multidisciplinar, integrando conservação e restauro de património móvel e integrado, formação nas áreas das artes e ofícios, apoio à produção cultural e a criação de plataformas de reflexão e difusão, como o projeto Hexágono. Esta diversidade não fragmenta a sua identidade criativa, pelo contrário, fortalece-a, permitindo que diferentes linguagens dialoguem entre si de forma orgânica e coerente.

Enquanto criador e agente cultural, Gonçalo Leandro procura respostas duradouras para as questões da arte contemporânea, recusando soluções imediatas ou superficiais. A sua prática baseia-se na ideia de permanência, entendida não como imobilidade, mas como continuidade consciente. Cada obra e cada intervenção são encaradas como gestos culturais que articulam tempo, saber e matéria, contribuindo para uma visão integrada da arte como prática viva, transformadora e profundamente humana.